As escolas de formação de instrutores estão indignadas com o Instituto do Desporto de Portugal (IDP). Ao DN afirmaram que receberam garantias de que os alunos receberiam cédulas profissionais, mesmo sem experiência, por estarem acreditadas pela Direcção--Geral do Emprego e das Relações de Trabalho. Mas foram excluídos.
"O IDP prometeu que os cursos seriam aceites. Ministrámos os cursos confiantes que estava tudo correcto", explicou Alice Rodrigues, directora-geral do Centro Estudos Fitness (CEF). Perante as recusas, pediu explicações ao IDP. E a resposta foi que os cursos tinham de estar incluídos no Sistema Nacional de Qualificações. "Nenhum está, nem poderia estar, pois a profissão não está no caderno de profissões." A situação pode levar ao fecho da escola: "Ficámos reduzidos a 50% dos alunos."
Caso idêntico vive a ALM Pilates. "Dei formação em Inglaterra, Malta ou Alemanha. Quem foi comigo ao estrangeiro tem acesso à cédula; quem tirou o curso em Portugal, não", explicou a responsável, Ana Luís. Pediu sempre aos seus alunos que confirmassem junto do IDP se os cursos seriam aceites e a resposta que lhes foi dada foi a mesma: sim.
Elisabete Castro, aluna do CEF, ilustra esta contradição: "Mandei um mail com os requisitos e recebi a indicação de que iriam enviar a referência multibanco para pagar. Mais tarde disseram-me que havia uma interpretação mais restrita da lei e que não teria a cédula. Senti-me enganada."
Já um casal que tirou o curso na Training Academy do Holmes Place tinha o mesmo curso e nenhuma experiência profissional. Ela conseguiu a cédula; ele, não. "Tenho mais de cem pessoas no desemprego", realçou Maria Bartolomeu, manager dos ginásios. O Holmes Place começa a ter falta de pessoal. "Somos dos que mais profissionais absorvem na área e agora não podemos recrutar."
Perante as queixas, o presidente do IDP, Luís Sardinha, disse apenas ao DN que consultou a Agência Nacional para a Qualificação e notificou as escolas da "resposta formal" deste organismo.
fonte: Diário de Noticias