Associação diz que só foram atribuídas sete mil cédulas profissionais a instrutores sem licenciatura.
Cerca de 12 mil instrutores de ginásios sem licenciatura estão a trabalhar de forma ilegal, correndo o risco de serem despedidos por falta de habilitações, alerta a Associação de Empresas de Ginásios e Academias de Portugal (AGAP). O prazo para pedirem as cédulas profissionais terminou a 28 de Fevereiro, e, com apenas sete mil trabalhadores já legais, há ginásios ameaçados de fecharem as portas por não terem técnicos disponíveis.
"A situação ameaça ser caótica", alertou ao DN José Luís Costa, presidente da AGAP. Esta redução drástica de profissionais era algo já temido pela AGAP quando a nova lei foi aprovada no ano passado. A legislação passou então a obrigar todos os instrutores sem o 1.º ciclo de Bolonha a pedirem uma cédula ao Instituto do Desporto de Portugal (IDP). O responsável diz que os cerca de 19 mil profissionais nesta situação tiveram apenas 90 dias para regularizar a situação: "O IDP não estava preparado para tantos pedidos num curto espaço de tempo."
O IDP é o responsável pela atribuição das cédulas e, segundo José Luís Costa, até à data-limite só tinham sido só concedidas cinco mil, havendo duas mil em espera. "Não consegui saber quantas foram recusadas. Desde então, há um silêncio perturbador por parte do IDP", salientou, preocupado com o futuro dos ginásios.
Já o IDP afirmou que recebeu oito mil pedidos, sendo que seis mil estão a ser analisados e duas mil cédulas já foram emitidas. "Todos os pedidos que entraram foram aceites", garantiu ao DN Luís Sardinha, presidente do IDP. Porém, o DN sabe que houve instrutores que viram o seu pedido recusado, principalmente por terem um curso de formação, mas nenhuma experiência profissional. Inicialmente, o instituto afirmou que esta situação era aceite, mas depois mudou de posição (ver peça ao lado).
Existem cerca de 1400 ginásios privados em Portugal, e alguns responsáveis começam a temer que possam ser obrigados a fechar as portas. "Com poucos profissionais em posse da cédula, há ginásios que estão a ficar alarmados. Não querem arriscar ficar com pessoas que não têm cédula, pois, se a ASAE os investiga, estão sujeitos a multas pesadas", explicou o dirigente da AGAP, acrescentando que a situação pode causar sérios problemas aos responsáveis se encerrarem.
Com a nova lei, é agora obrigatório ter uma licenciatura para obter a cédula profissional. Até 28 de Fevereiro, foi possível aos que não tinham curso superior pedir ao IDP o certificado com base na experiência, mas esta é mais uma situação que preocupa a AGAP.
Quem trabalhou até dia 1 de Dezembro de 2009, podia pedir ao ginásio um comprovativo e dessa forma aceder à cédula. "Este caso é também problemático. Havia a possibilidade de alguém com apenas um dia de trabalho antes da data ter acesso à cédula", frisou José Luís Costa.
Para a AGAP, a polémica na atribuição das cédulas poderia ter sido minimizada se tivesse sido aceite os dois anos de período de transição propostos pela associação. José Luís Costa quer uma reunião com o secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, para encontrar uma solução.
fonte:http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1536065